Início » Os mais ricos são os que mais poluem, mesmo quando se preocupam mais com o ambiente

Os mais ricos são os que mais poluem, mesmo quando se preocupam mais com o ambiente

by Redação

Dois trabalhos recentes vieram reforçar uma conclusão: as pessoas com maiores rendimentos são responsáveis por uma parcela desproporcional das emissões de gases com efeito de estufa e, paradoxalmente, essa realidade mantém-se mesmo entre aqueles que demonstram maior preocupação com as questões ambientais.

Um relatório da Oxfam Intermón revelou que o 1% mais rico da população mundial esgotou o seu “orçamento anual” de emissões de carbono nos primeiros 10 dias de 2026. Este orçamento corresponde à quantidade máxima de dióxido de carbono (CO₂) que cada pessoa poderia emitir anualmente para que o aquecimento global permanecesse dentro do limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris.

Paralelamente, um estudo publicado na revista científica Communications Earth & Environment, realizado em seis países do G7 (França, Canadá, Alemanha, Itália, Reino Unido e Estados Unidos), concluiu que o nível de rendimento é um dos principais fatores que explica a pegada ecológica individual. O trabalho analisou mais de 5.000 participantes e avaliou aspetos como o consumo de carne, a dimensão da habitação, a produção de resíduos, as deslocações de automóvel e as viagens aéreas. Embora os indivíduos com fortes valores ambientais adotem frequentemente comportamentos mais sustentáveis, esse efeito é amplamente ultrapassado pelo impacto associado a níveis elevados de rendimento.

Os autores identificam os transportes, especialmente as viagens de avião, como um dos principais responsáveis por esta diferença. As pessoas mais ricas viajam mais frequentemente e consomem mais bens e serviços com elevada pegada carbónica, o que acaba por anular grande parte dos benefícios associados às suas preocupações ambientais. Segundo a Oxfam, esta desigualdade tem consequências globais significativas. A organização estima que as emissões geradas pelo 1% mais rico poderão estar associadas a milhões de impactos negativos relacionados com as alterações climáticas ao longo das próximas décadas, afetando sobretudo as populações mais vulneráveis e os países com menos recursos.

Tanto a Oxfam como os investigadores defendem que a redução das emissões não pode depender apenas da consciencialização ambiental. Consideram necessárias medidas estruturais, incluindo políticas fiscais, regulamentação dos setores mais poluentes e incentivos à redução do consumo de atividades com elevado impacto climático. A principal conclusão é clara: a capacidade económica continua a ser um dos fatores mais determinantes para explicar quem mais contribui para as emissões globais, independentemente do grau de preocupação demonstrado com o ambiente.

Fonte: El Economista

You may also like

Leave a Comment