Um documentário realizado em 1952, em Espanha, mostra-nos como eram feitas as batidas às perdizes naquela altura. Um vídeo a não perder, para quem gosta de caça.
Redação
Recentemente, foi publicado o livro: A Caça – História, Cultura e Recurso Sustentável, cujos autores são João Fialho de Almeida e Mário Fialho de Almeida.
Deixamos na íntegra uma entrevista realizada a João Fialho de Almeida, na sequência desta publicação. Esta entrevista foi realizado por José Serrano, e publicada no Diário do Alentejo.

Como nos apresenta este livro?
É uma coletânea de reflexões sobre momentos passados no campo e a atividade cinegética. É um livro de caça que pretende ser diferente, num registo marcadamente literário, procurando que o leitor “mergulhe” dentro das experiências e lugares descritos, no presente e no passado histórico.
Qual a relevância que a atividade cinegética tem tido na identidade das comunidades rurais do território?
É um elemento agregador das comunidades rurais – todos sentem um fascínio enorme por ver um cão a levantar uma perdiz. Faz parte das nossas tradições, une as pessoas com laços de companheirismo, os mais velhos ensinam aos mais novos e vem-se notando, cada vez mais, a presença, fundamental, do sexo feminino, especialmente em batidas.
Que peso tem a caça na economia da região?
O setor da caça, com o devido ordenamento territorial, é uma alavanca de desenvolvimento na nossa área. Para além do rendimento criado pela gestão ambiental e pela exploração das propriedades, existe um enorme movimento económico gerado com a deslocação dos caçadores, a nível da hotelaria, do comércio, da restauração e do turismo.
Há, a seu ver, uma incompreensibilidade, por parte dos cidadãos detratores da caça, acerca do que são as dinâmicas intrínsecas à “vida rural”?
A sociedade está cada vez mais polarizada. As redes sociais são câmaras de eco – em vez de haver troca de ideias apenas se reforçam certas crenças que não correspondem à realidade. Paradoxalmente, através das redes sociais, o aspeto lúdico e ecológico da caça está a voltar a ser valorizado. Encontro muitas pessoas da minha idade interessadas em conhecer mais sobre a caça e começar a praticá-la. Penso que, devido ao ambiente assético e alienante da sociedade tecnológica, os jovens anseiam voltar às raízes, contactar com a natureza.
O que é necessário implementar/legislar para que a caça seja, de facto, um recurso sustentável, passível de as gerações vindouras virem dele a fruir?
A caça tem sido um recurso sustentável ao longo da história. Tem havido períodos mais preocupantes, mas a natureza, até este momento, tem conseguido regenerar-se. Nesse sentido, destaco uma articulação mais próxima e ativa entre o Estado, legislador, e o organismo executivo (ICNF), organizações ambientalistas e a Direção Geral de Veterinária, tendo em conta o papel que a ciência tem no combate a patologias que dificultam a sobrevivência de espécies cinegéticas. É muito importante que o calendário venatório anual seja elaborado tendo em conta o feedback dos vários organismos, associações e federações de caçadores e outras entidades, para que os nossos recursos naturais sejam salvaguardados.”
Quando terminou a última Idade do Gelo, há cerca de 10.000-12.000 anos, e teve início o período temperado do Holoceno, deu-se uma importante evolução nas técnicas de caça do Homo sapiens; a invenção do arco. Até então a caça praticava-se com armadilhas e outros instrumentos mais rudimentares, como as lanças com pontas em pedra. Ao surgir o arco, ninguém terá pensado que essa invenção demoníaca poderia colocar em risco a fauna. Pelo contrário, a invenção permitiu diversificar as espécies presa e permitiu aos primitivos caçadores direcionar os esforços de caça a animais menores, podendo conseguir alimento sem arriscar as suas vidas com os grandes mamutes ou perigosos ursos. É possível que algum animalista vegano do início da humanidade tenha vaticinado que com essa invenção – o arco – se iria exterminar todas as espécies animais.
Texto: Redação
Fotos: Arquivo
Com a vulgarização do arcabuz como arma de caça no século XVII, a atividade venatória alterou-se de forma significativa, ao ponto de a prática da montaria ter mudado radicalmente para a forma como hoje a conhecemos, com os caçadores colocados e matilhas a bater a mancha para os postos. Não acreditamos que naqueles anos alguém tenha estado contra o uso da arma de fogo nessa prática venatória já com séculos de existência, no limite a algum purista da caça com arco ou besta lhe poderá ter parecido excessivo o uso de tal utensílio.

Munição metálica e miras telescópicas
Em finais do século XIX a pólvora sem fumo impôs-se sobre a pólvora negra e o aparecimento da munição metálica introduziu um novo salto tecnológico nas armas de fogo para a caça. Foi entre esse período e o século XX que surgiram muitos dos calibres que ainda hoje utilizamos e ninguém tentou a sua proibição. Nem sequer o tentaram com o aparecimento das primeiras miras telescópicas que se tinham começado a utilizar na Primeira Guerra Mundial e passaram imediatamente a fazer parte do equipamento de muitos caçadores. Na verdade, o seu uso foi considerado ético por permitir uma maior eficácia.
Novas tecnologias
Tudo isto vem a respeito das discussões que atualmente estão em debate no mundo da caça sobre o uso das novas tecnologias; que não é ético, que não se dá oportunidade à caça…. Vamos neste artigo abordar o uso dos novos equipamentos que o caçador tem à sua disposição para a prática da atividade venatória. Cabe a cada um dar-lhe o melhor uso, respeitando sempre os aspetos legais da sua utilização e, claro, cumprindo aquilo que serão os planos de cinegéticos feitos com rigor e assim participar na gestão efetiva das zonas de caça.
As câmaras ou “trail-cams”
A digitalização na fotografia e vídeo abriu-nos um mundo que permanecia oculto aos não profissionais. Com as câmaras de foto-armadilhagem ou “trail-cams” podemos conhecer os hábitos das espécies de caça e por onde se movimentam. A maioria utiliza este tipo de equipamento junto aos cevadouros para saber a que hora entra o javali a comer e também para conhecer em detalhes aspetos físicos da futura presa. Antes das câmaras já havia alguns dispositivos que permitiam saber, sem qualquer tipo de interatividade, a hora da frequência dos javalis ao comedouro; lembram-se dos dispositivos de relógio tipo “bolota”? Quando era derrubado o relógio parava e marcava a hora da visita. Faltava saber os detalhes físicos do “suspeito”, e aí entrava a arte do caçador, procurando identificar rastos no solo e marcas nas árvores e vegetação. Algo que dava um sabor especial a uma espera.
Hoje é muito mais simples. Basta visionar as fotos e podemos ver, além do dia e hora, praticamente todos os detalhes do visitante. E tudo isto pode ser em direto, graças à tecnologia 4G (e 5G) que nos permite acompanhar em tempo real tudo o que se passa nos nossos cevadouros. Podemos inclusive interagir com o equipamento, configurando-o remotamente.
Evidentemente, este tipo de equipamento utilizado de forma mal-intencionada permite abater os grandes navalheiros sem história. Contudo, serão também as “trail-cams” uma excelente ferramenta de gestão para conhecer melhor o que temos na nossa zona de caça e assim elaborar planos com menor margem de erro.
Torretas balísticas
O fascínio pelos tiros a longa distância está na ordem do dia. E se olharmos para a história, esse fascínio é antigo. Desde que se montaram as primeiras miras telescópicas nas armas de caça que se valoriza um lance concretizado com um tiro longo. As primeiras miras não eram mais do que um par de lentes com um retículo que permitia colocar melhor o tiro.
Não faz muito tempo as miras telescópicas convencionais incorporaram uma nova tecnologia; a torreta balística. Este complemento permitiu compensar de forma mais rápida (sem grandes cálculos) a trajetória balística do projétil em função da distância de tiro. Com a ajuda de um telémetro – outro equipamento tecnológico – deixa de ser necessário compensar “a olho” a queda da bala. Medimos a distância com o telémetro, colocamos a roda da torreta nessa distância e… disparamos apontando à zona vital da peça de caça. Há quem considere que um disparo a 400 metros não é caça. Mas também há quem considere uma total falta de ética um disparo a uma rês parada, que esteja a alimentar-se num cevadouro…

Monóculos e miras NV e térmicas
A visão noturna (NV) e térmica, tal como muitas outras tecnologias que utilizamos na caça, nasceram no âmbito militar. Têm princípios de funcionamento distinto: a tecnologia NV amplificam eletronicamente a luminosidade ambiente e aproveita espectros não visíveis ao olho humano convertendo-os para uma imagem visível; a tecnologia térmica deteta fontes de calor e permite detetar animais a longa distância, inclusive durante o dia.
Em ambos os casos melhoram a detenção das reses e facilitam a sua captura. Combinando um monóculo para deteção e observação, com uma mira, não há qualquer dúvida que a tarefa do caçador ficará substancialmente mais facilitada. Além disso, permite uma maior eficácia por saída de caça, o que poderá ser importante para cumprir planos de gestão ou acudir a situações de prejuízos na agricultura, por exemplo.
Conclusão
A tecnologia não é má. A tecnologia mal utilizada é nefasta. O debate é muito simples, devemos utilizar a tecnologia para caçar melhor e ajudar-nos a cumprir os planos de caça. Nem um exemplar a mais, nem um exemplar a menos. E sobretudo, moderação. Moderação no vício de matar e no “vale tudo” para obter aquele troféu. A caça de um bom troféu pode ser uma experiência de capacidade e superação pessoal.
Cada um elege até onde quer chegar com a tecnologia e, sobretudo, tem de cumprir com a legislação, o que está permitido e nunca mais do que isso.
Este é um artigo que pode encontrar na edição especial EXTRA JAVALI 2025.
Em banca!

Segundo o Notícias ao Minuto, o Ministério da Saúde de Castela La Mancha, está a investigar um possível surto de triquinose detetado numa família espanhola, depois de terem comido carne de um javali.
Os membros da família tiveram de receber tratamento médico, mas apenas um teve de ser hospitalizado. Foram recolhidas amostras, que foram posteriormente enviadas para o Centro Nacional de Microbiologia, para que se confirme qual o agente patogénico em causa.
Esta é uma infeção que a ASAE refere que, segundo cita o Notícias ao Minuto, “ocorre quando é ingerida carne contendo quistos com as respetivas larvas. A carne de porco ou os seus derivados consumidos crus ou cozinhados de forma insuficiente são os principais alimentos associados a esta infecção. Em casos raros, a infeção foi contraída pelo consumo de carne de javali, de urso e de alguns mamíferos marinhos. A manifestação de sintomas varia de acordo com número de larvas invasoras, com os tecidos invadidos e com o estado geral de saúde do hospedeiro. Um ou dois dias após ingestão de carne infetada surgem os sintomas intestinais podendo o doente apresentar febre ligeira. Os sintomas da invasão larvar surgem normalmente 2 a 8 semanas após a infeção. Os sintomas mais comuns são náuseas, diarreia, vómitos, cansaço, febre e dores abdominais seguidos, enfraquecimento e, em casos muito graves, complicações cardíacas ou neurológicas. Geralmente, as pessoas afetadas recuperam completamente de triquinose”.
Fonte: Notícias ao Minuto; Foto: Pixabay
Segundo referencia o Diário do Minho, um caçador de 53 anos caiu este fim-de-semana, em Sistelo (Arcos de Valdevez) numa escarpa com cerca de 12 metros de altura, sofrendo ferimentos graves. Foi resgatado por helicópetro pelos Bombeiros Voluntários de Arcos de Valdevez.
Segundo o Comandante dos Bombeiros de Arcos de Valdevez, Filipe Guimarães, foram chamados por volta das 13h25, para uma ocorrência na encosta de Repiupiu, freguesia de Sistelo, e quando “chegaram ao local aperceberam-se que o homem estava muito longe da estrada, numa zona praticamente inacessível, havendo a necessidade de acionar uma equipa de salvamento e resgaste em grande ângulo”.
Neste local estava a decorrer uma montaria e, segundo a notícia, o caçador “caiu de cima de uns penedos, numa zona escarpada, por motivos ainda não totalmente esclarecidos, mas que poderão ter a ver com a possibilidade de se ter sentido mal ou aproximado demasiado da beira da encosta. O homem sofreu ferimentos graves ao nível da cabeça, dos ombros e queixava-se muito também da coluna, das costas”.
O helicóptero da força aérea foi acionado para fazer o resgaste deste homem, pois “a área era praticamente inacessível, o pessoal teve muita dificuldade em conseguir descer até junto dele (…) o homem foi estabilizada por nós no local”. Este caçador foi posteriormente transportado para o Hospital de Braga.
Fonte: Diário do Minho; Foto: Pixabay
Cientistas descobrem que javalis transmitem um parasita que afeta os humanos
Uma equipa internacional de investigadores publicou um novo artigo científico na revista Veterinary Research, onde exploraram a presença e diversidade genética do parasita Blastocystis nas populações de javalis da Península Ibérica.
A investigação, realizada entre 2014 e 2021, analisou um total de 459 amostras fecais de javali recolhidas em diferentes regiões de Espanha (360 amostras) e Portugal (99 amostras). Os resultados referiram que 15,3% dos javalis estavam infectados com Blastocystis, com uma prevalência significativamente mais elevada em Portugal (34,3%) em comparação com Espanha (10%). Este parasita, transmitido por via fecal-oral, pode causar problemas gastrointestinais em animais e humanos. Além disso, foram identificados até sete subtipos diferentes do parasita, sendo o subtipo ST5 o mais comum, presente em todos os animais infetados. Este subtipo parece estar particularmente adaptado para infetar o javali, o que reforça a ideia de que esta espécie atua como um importante reservatório de infeções com relevância para a saúde pública.
O estudo salienta que os javalis em Portugal tinham não só uma maior prevalência de Blastocystis, mas também uma maior diversidade genética. Foi observada uma proporção significativa de infecções mistas, em que os animais foram colonizados por mais do que um subtipo. Alguns destes subtipos, como o ST10 e o ST14, são de particular interesse devido ao seu potencial zoonótico, o que significa que podem ser transmitidos aos seres humanos.

Segundo refere a Jara y Sedal, o subtipo ST5, comum tanto no javali como nos porcos domésticos, reforça a ideia de que estes animais podem facilitar a transmissão cruzada de agentes patogénicos entre a vida selvagem e os seres humanos. Desta forma, os autores do estudo sublinham a necessidade de implementar programas de vigilância mais abrangentes.
Mulheres caçadoras despem-se para fazer um calendário solidário na luta contra o cancro
Tal como acontece com outras classes (por ex. os Bombeiros), este grupo de mulheres caçadoras despiu-se com um único intuito: angariar fundos para ajudar na luta contra o cancro.
Esta é uma iniciativa frequente neste grupo de mulheres que todos os anos tentam angariar o máximo de dinheiro possível para ajudar na luta contra um dos cancros mais perigosos: o cancro da próstata.
Segundo a Jara y Sedal, estas mulheres referem que “no Reino Unido, cerca de 9.000 pessoas são diagnosticadas com este tipo de cancro todos os anos e a taxa de sobrevivência é de 3%. Infelizmente, este tipo de doença tem muito pouco financiamento para a investigação, uma vez que apenas 1% do financiamento público para a investigação do cancro no Reino Unido é atribuído aos cientistas da área do cancro do pâncreas”.
Assim, estas mulheres juntaram-se e despiram-se, ficando apenas com uma arma e protagonizando um calendário inédito, vendido através das redes sociais no final de cada ano. O dinheiro angariado reverte a favor desta causa solidária. Agora, a partir de The Naked Huntress celebraram a sua nova edição de 2025, com a qual conseguiram angariar o valor de quase 6.000 euros, sendo que os calendários já estão quase esgotados.

Este é um dos artigos que pode encontrar na edição EXTRA JAVALI 2025 100% dedicada à caça ao javali e que está disponível nas bancas.

Frequentemente ouvimos relatos de monteiros sobre situações desagradáveis decorridas em montarias; balas a zunir, postos mal marcados e que geram situações de insegurança, ou até mesmo mau comportamento de alguns participantes. Inclusive encontramos monteiros que hoje escolheram reduzir a sua participação em eventos cinegéticos coletivos de caça maior por os considerarem arriscados.
Apesar do número de montarias hoje ser consideravelmente maior do que o acontecia há duas ou três décadas, na verdade, e segundo a opinião dos monteiros mais experientes, a qualidade organizativa no que à segurança diz respeito não aumentou. Sabemos que todos os participantes devem contribuir para a segurança de uma montaria, contudo, cabe ao organizador dar o mote e ser intransigente com as regras que permitem não só levar a bom porto essa caçada, como também criar o desejável sentimento de segurança entre todos.
Neste artigo vamos eleger critérios para todos os participantes numa montaria, a começar pelo organizador (ou “orgânico” como agora é chamado), passando pelos monteiros – sem esquecer os seus acompanhantes – e terminando nos matilheiros.

Conselhos para o organizador
1.Elaborar o plano/mapa da mancha e proporcioná-lo a todos os assistentes à montaria, para que vejam a localização dos postos no terreno, já que muitas vezes o perigo pode residir no simples facto de o monteiro não saber a localização dos postos vizinhos. O problema agrava-se quando existem travessas.
2.Assinalar os postos com elementos visuais bem dimensionados, não simplesmente uma chapa que dificilmente o monteiro que ocupar esse local a encontra. Há fitas de alta visibilidade que permitem aos postos vizinhos observar a localização dos postos vizinhos quando visualmente é possível.
3.Obrigar que ninguém se mova dos postos, que procure “melhorar o posto” à sua vontade. Por isso já se encontram muitas propriedades que optam por colocar palanques de batida, com cerca de um metro de altura para que ninguém tenha possibilidade de “melhorar o posto”, acrescentando ainda maior segurança ao direcionar os disparos ao solo de um ponto mais elevado.
4.Cuidado com os postos colocados em aceiros; todos devem estar colocados no mesmo lado e respeitar os ângulos de tiro. E o “lado certo” é de onde vêm as reses, com as costas voltadas para esse lado; o primeiro disparo será efetuado depois da rês entrar ao aceiro e ter cumprido (sem tiros) a zona de segurança. Isto é básico, mas frequentemente observamos os monteiros em “zigzag” nos aceiros, criando uma enorme insegurança a todos. Cabe também ao organizador limpar e eliminar possível pontos que possam provocar ricochetes dos projéteis (balas). A
5.Dar instruções claras aos postores para que expliquem aos monteiros as zonas de tiro e quais são os lugares onde podem disparar sem perigo. E instruções claras para que não abandonem os postos até que alguém os venha recolher.
6.Colocar fora da mancha todo o pessoal responsável pela recolha das reses, apenas devem iniciar o seu trabalho quando a montaria terminar e os postos estejam recolhidos.

7.Dar a todos os monteiros uma lista escrita com todas as instruções de segurança e lê-las durante a preleção da montaria, com todos os participantes presentes. Nunca é demais repetir regras que podemos pensar estar “batidas”.
Para os monteiros e acompanhantes
1.Não sair do posto que foi assinalado. Muitas vezes pensamos que esses poucos metros que nos dão uma melhor posição de tiro não interferem com a segurança, pois estamos enganados… se os postos estiverem bem marcados, o local certo é precisamente o que nos foi indicado.

As regras de segurança devem ser transmitidas – por escrito – a todos os participantes.
2.Usar peças de vestuário com cor de alta visibilidade (laranja). Um chapéu e um colete não incomoda e torna-se visível a muitas centenas de metros. Se estiver calor, o colete (ou outro elemento de alta visibilidade) pode ficar num ramo ou arbusto a marcar o posto. Além disso, devemos também assinalar a nossa presença aos postos vizinhos sempre que isso seja possível.
3.Um posto ocupado por duas pessoas nunca deverá ter mais do que uma arma. Esta é uma das principais causas de acidentes; dobrar um posto. E por vezes esses acidentes acontece entre os ocupantes desse posto. A emoção do lance e a intensidade do momento poderá levar a um esquecimento momentâneo das regras de segurança com armas de fogo. E com duas armas preparadas a dar fogo à mão, as probabilidades de algo correr mal… são muito maiores.

4.Se o posto está no solo vamos ter sempre a preocupação de “enterrar” os tiros. Também deve ser tomada muita atenção ao “correr da mão” a acompanhar uma rês, cumprindo escrupulosamente os limites daquilo que é o nosso campo (ou zona) de tiro.
5.Cuidado com os ricochetes. As balas de caçadeira têm tendência para ricochetes em pedras. Nunca disparar para um plano de água, seja com espingarda ou carabina.
6.Nunca disparar ao viso (linha do horizonte). No tiro à bala temos de enterrar o projétil. A bala de uma carabina pode percorrer quilómetros e impactar com energia suficiente para se tornar letal.
7.Não disparar ao “movimento” de algo que sentimos entre a vegetação, pois pode ser um cão, uma espécie não cinegética ou até uma pessoa…
8.Antes de municiar a arma assegure-se que o cano está limpo e sem elementos estranhos no seu interior. Nunca viu um colimador no cano de uma arma desenfundada no posto de montaria? Pois é… acontece.
9.Se tem de acudir a um agarre ou efetuar o remate de uma rês, deve avisar todos os companheiros de caça que estejam presentes no seu alcance visual. Entrar a um remate é emocionante, mas há que saber fazê-lo. Não raras vezes monteiros acabam feridos por não saberem efetuar com segurança a entrada ao remate. Por vezes, os cães que agarram um javali soltam-no quando vêm um desconhecido se aproximar. Antes de ir ao remate – com faca – avalie bem a situação.
10.Não sair do posto até que alguém o venha recolher, mesmo que demore um pouco mais do que o esperado. Hoje muitas organizações permitem levar a viatura para próximo do posto e frequentemente esses monteiros abandonam a montaria antes do final da mesma, não só estragando a caçada aos vizinhos de postos, como também se colocam em perigo.
11.Por último, no que diz respeito aos acompanhantes; a sua colocação no posto deve ser coordenada com o monteiro, nunca interferindo com as zonas seguras para efetuar os disparos. Evitar ao máximo levar para o posto mais do que um acompanhante, além de poder reduzir o nível de segurança do posto, também poderá tornar a situação mais complicada para os postos vizinhos, que se podem preocupar constantemente em verificar se a “turma” está completa!
Conselhos para os matilheiros
1.Muitas vezes vemos os matilheiros acompanhados de amigos ou familiares; isso aumenta o risco de acidente para todos e deve ser evitado, levando apenas o número indicado de pessoas para trabalhar com a matilha. Não esquecer equipamento de alta visibilidade (chapéu, colete, etc.) e com frequência dar conta da sua presença, incentivando os cães ou alertando os monteiros do movimento das reses.
2.Tentar que as matilhas cruzem as armadas e aceiros coordenados, avisando os caçadores da sua progressão no terreno.
3.Não deixar os veículos a impedir caminhos, a boa circulação de viaturas deve estar sempre garantida.

Montear não significa risco
A montaria é um ato de caça coletivo. Felizmente não há muitos acidentes, mas o ideal será “zero acidentes” e regra geral todos são evitáveis. A montaria é também um encontro entre caçadores (monteiros) que partilha a paixão por este processo de caça secular. Além das normas de segurança deve ser cumpridas as regras básicas de educação e respeito. Se todos fizerem a sua parte, a montaria é um processo de caça prazeroso e que muito boa recordação nos pode dar.

No dia 8 de fevereiro de 2025, realiza-se a primeira Montaria no Feminino no concelho de Mértola, com a organização da Câmara Municipal de Mértola, em parceria com o Clube Português de Monteiros e a Federação Alentejana de Caçadores.
Este evento, inserido na 3ª edição das Jornadas da Caça, terá início no dia 7 de fevereiro, com uma receção de boas-vindas e um jantar típico alentejano. No sábado, dia 8, realiza-se a montaria, que terá 35 postos e 10 matilhas. Ã concentração está marcada para as 08h00.
O valor de cada posto é de 150€, incluindo o jantar de sexta-feira, o pequeno-almoço e o almoço de sábado.
Para mais informações, pode aceder AQUI.
Estudo científico mostra o impacto dos pesticidas na reprodução da perdiz
O Instituto de Investigación en Recursos Cinegéticos (IREC) relatou há vários anos os efeitos do flutriafol, um fungicida sistémico omnipresente utilizado no tratamento de sementes de cereais, que pode ser fatal para a reprodução da perdiz-vermelha.
Neste estudo, os investigadores alimentaram as perdizes com trigo tratado com 0%, 20% ou 100% da taxa de aplicação de flutriafol durante 25 dias (no fim do inverno). Depois disso, foram estudados os efeitos do tratamento no desempenho reprodutivo.
Segundo a Jara Y Sedal, os investigadores perceberam que as perdizes expostas a este pesticida sofreram efeitos fisiológicos, como a redução dos níveis de colesterol e triglicéridos; efeitos fenotípicos, como a redução da pigmentação carotenoide dos seus anéis oculares, e ainda com efeitos adversos graves na reprodução – “uma redução no tamanho da ninhada e na proporção de ovos férteis e uma produção global de descendentes reduzida em mais de 50%”. Desta forma, concluíram que “o tratamento de sementes com flutriafol representa um risco para as aves granívoras”.
