Viagens de Caça
Há muito tempo que eu desafiava o Pedro Vitorino para ir comigo até à Namíbia filmar um Safari, porque o meu amigo Johnny Schickerling é uma excelente pessoa e tem uma área de caça espetacular. Outro amigo nosso, o Paulo Valbom, conheceu o Johnny numa caçada aos Ibexes no Quirguistão, e tinha-me pedido para fazermos um Safari em África. Só o Johnny e o Pedro é que não se conheciam, mas eu sabia que tinham tanto em comum que ao fim de pouco tempo seriam amigos. Foi assim que nos juntamos quatro amigos nas Terras Altas do Khomas.
Texto: João Corceiro
Apesar do Paulo ser um caçador com muita experiência, esta seria a sua primeira caçada em África. Se tenho inveja de alguém é de todos aqueles que vão fazer o seu primeiro Safari. O sonho de uma caçada no continente negro é para muitos de nós um lugar-comum, nenhum caçador tem maiores expectativas do que aquele que vai a África pela primeira vez, é logo à partida um homem feliz. Também tínhamos um documentário para fazer. O objetivo era mostrar um Safari na Namíbia com as suas espécies típicas e que este país é um dos melhores exemplos, se não o melhor, daquilo que uma nação que recebe muito bem os caçadores, de todo o mundo, consegue fazer em prol da sua vida selvagem.
O Damara Dik dik
Chegámos de manhã cedo a Windhoek e foi uma alegria enorme reencontrar o Johnny, que já não via há cinco anos. Desta vez eu tinha um pedido muito especial, caçar um Damara Dik Dik. No meu último Safari tinha caçado em Marromeu alguns dos “Dez Pequeninos”, e por isso queria caçar mais um para “juntar à coleção”. Em Khomas não há Dik Diks, por isso tivemos que iniciar a caçada mais a norte. Seguimos de imediato para Omeruru, até à fazenda de uns amigos do Johnny, o Jan e a Petro, um casal de sexagenários que vive num local isolado e quase da mesma forma que os seus avós terão vivido há mais de cem anos. Estes encontros com o passado fazem-me pensar em como seria a minha vida num lugar como aquele, muito diferente com certeza… mas talvez não fosse menos boa. Após um excelente almoço de carne de Órix, esperamos até às três da tarde para, como de costume, verificar se a minha .308Win e a .375H&H do Paulo estavam em condições, depois da longa viagem desde Portugal. Tanto eu como Paulo utilizaríamos balas Swift A-frame, embora de calibres diferentes, e eu também usaria balas sólidas, FMJ, para “os pequeninos”. A área de caça tinha o habitat típico do interior no centro da Namíbia e de mais de metade de África, a savana arbustiva de espinheiras, não tão fechada como noutros sítios, mas ainda assim a visibilidade raramente ultrapassava os cinquenta metros. Não tardámos em ver Springboks e Órixes, mas ali só caçaríamos o tão ambicionado Cahíne, o nome que se dá ao Dik Dik na minha terra. O Damara Dik Dik é um pequeno antílope lindíssimo, de tons castanhos e acinzentados, olhos muito grandes, um tufo de pelo na cabeça e os machos têm uns corninhos direitos e afiados. Muitos pensam que só existe na Namíbia, mas não é verdade, também existe em Angola. Ainda assim não deixa de ser espantoso, que esta mesma espécie, mas com outro nome, Kirks Dik Dik, só exista a milhares de quilómetros de distância, na África Oriental. Ninguém consegue explicar esta enorme separação geográfica das duas populações de um antílope tão pequenino, um verdadeiro enigma. A caçada é muito parecida com a do Suni, como não é possível “chamá- los” há que tentar descobri-los no emaranhado de ramos e troncos, só que num ambiente diferente da floresta costeira de Moçambique, onde tudo é verde e húmido, na Namíbia tudo é cinzento, árido, seco e cheio de espinhos. Os Dik Diks fogem aos seus predadores escondendo-se nas espinheiras mais fechadas, por isso teríamos que tentar surpreendê-los nalguma área mais limpa. Fui o primeiro a ver um Dik Dik mas era uma fêmea, normalmente andam aos pares, apesar de muito procurar não vimos o macho. Continuámos a pé, tentando fazer o menor ruído possível, o que não é fácil com o mato tão seco e o terreno cheio de pequenas pedras. Subimos a um monte rochoso, aquilo que nestas paragens é conhecido como “Kopje”, tentando descobrir de cima para baixo o que procurávamos, entre as espinheiras do sopé, mas também não tivemos sorte. Seguimos pelo leito de um rio seco, tentando fazer menos barulho. Quando voltávamos ao emaranhado de espinheiras saltou um Dik Dik do meio do mato, como se fosse uma lebre. Adivinhámos por onde iria passar, o Johnny abriu o tripé de imediato e vi que o Pedro também já estava preparado para filmar. Não perdi tempo e apontei para onde eu tinha a certeza que o pequeno antílope ia surgir. Mal apareceu atrás de um tronco o Johnny disse “No, no, no!” que eu percebi como “Now, now, now!” e disparei. Ainda soava o tiro e já me tinha apercebido da grande asneira que tinha feito, o Dik Dik não tinha cornos, era uma fêmea. Há muitas formas de começar mal uma caçada, esta é uma delas… Só me restava pedir desculpa, eu era o único responsável por aquilo. Nunca devemos puxar o gatilho sem ter a certeza do que estamos a fazer e eu tinha feito o contrário. Ao fim de tantos Safaris nunca deveria ter acontecido, mas aconteceu. O Jan disse-me que apesar das licenças para Dik Diks serem poucas, ainda tinha uma disponível e que se eu quisesse poderia tentar caçar outro. Foi o que fizemos e continuámos a caçada, mas com um enorme desgosto. Passámos o resto da tarde a caçar da mesma forma, mas sem que víssemos mais Dik Diks. Ao fim do dia regressávamos à casa da fazenda no jipe, quando voltei a ver outro Damara e desta vez era um macho. Bati no tejadilho suavemente e o carro parou de imediato. O Dik Dik estava bem visível e deu tempo para tudo. O Johnny disse-me que não era muito grande, mas o Jan, que toda a vida ali viveu e viu centenas destes antílopes, acrescentou que era um macho muito velho com os cornos, grossos, já muito desgastados e por isso mais pequenos, mas ainda assim um excelente troféu, sobretudo pela idade. Depois de uma pequena aproximação, e com a luz alaranjada do pôr do sol a inundar a mata de espinheiras, coloquei o retículo onde adivinhava o coração do bicho e a bala sólida da .308 acertou em cheio. Era exatamente o que o Jan tinha dito, um velho mas precioso Cahíne de cornos grossos e bastante desgastados, que foi naturalizado de corpo inteiro e que me faz recordar um dia em África, em que as coisas não correram bem, mas que não devo esquecer para que não se repita. A coisa boa quando caçamos com verdadeiros amigos, é o apoio que nos dão nestas situações. O Johnny conseguiu que o Jan me permitisse caçar um segundo Dik Dik, o Pedro dizia-me que às vezes as coisas são assim e o Paulo até me conseguiu pôr a rir, quando me obrigou a pegar nos dois Cahínes e me nomeou o “Rei do Cabrito”. Dormimos essa noite na fazenda e no dia seguinte, ainda de madrugada, iniciámos a viagem para o sul. Conforme nos íamos aproximando do nosso destino, o Pedro e o Paulo iam ficando mais admirados com o que viam. Khomas Hockland era tudo aquilo que eu lhes tinha dito…

Terra montanhosa e uma área de caça fantástica
Quando falamos em África, a maior parte das pessoas pensa na bonita savana do “África Minha”, planícies e colinas a perder de vista, salpicadas de acácias e com alguns rios a serpenteá-las. Quando pensamos na Namíbia a primeira imagem que nos ocorre são os desertos do Kalahari e do Namibe e talvez por isso ninguém pense neste país como a terra montanhosa que na realidade é. Windhoek, a capital, está a 1.700 metros de altitude e as montanhas de Khomas têm mais de 2.500 metros, formando uma verdadeira cordilheira. A área de caça da Agarob Safaris, não me canso de dizer, é fantástica. Montanhas a perder de vista, vales com alguma erva, escarpas e gargantas profundas de rochas avermelhadas, um ou outro planalto menos acidentado e tem caça selvagem. Não há melhor sítio em África para caçar Zebras de Montanha e Klipspringers. Também podemos encontrar Kudus enormes e bonitos Orixes. Embora não haja muitos, podem-se caçar Hartebeests, Springboks e Gnus. Nalguns anos e em determinadas alturas aparecem Elandes. Nos planaltos, que têm algumas charcas, há bons Facocheros e Steenboks. A casa da fazenda tinha sofrido grandes remodelações desde a última vez que aqui tinha estado, foi transformada num lodge muito confortável e com bom gosto. A Mariana não podia estar mais orgulhosa do seu novo lar, mas ela continuava igual, a mesma simpatia e a mesma arte de bem receber. Almoçámos e logo nessa tarde começámos a caçar. Agora seria o Paulo quem marcaria o ritmo, o animal mais desejado era o Kudu e seria o que tentaríamos procurar. Fomos de jipe até uma área por onde normalmente andam, procurámos um ponto alto e começámos a esquadrinhar as serras à nossa frente com os binóculos.
Mas as voltas saíram trocadas…
O Johnny descobriu sete Zebras no vale à nossa frente. Este pequeno grupo procurava a escassa sombra que duas árvores raquíticas lhes conseguiam dar. Fizemos a aproximação ao longo da nossa encosta e chegamos a menos de duzentos metros. As Zebras não deram por nós e continuavam todas encostadas umas às outras, para caberem na sombra. Havia duas fêmeas com crias, outras duas adultas e um grande macho, mas estava tapado por uma fêmea e uma cria estava atrás dele. Não havia maneira de atirar a menos que se mexessem, mas o grupo teimava em permanecer imóvel, só abanavam os rabos e as orelhas para espantar as moscas. Mudámos de posição para ter um ângulo melhor, a cria moveu-se um pouco e o Paulo disparou. O macho estremeceu com o tiro mas saiu a correr com as outras Zebras, para a nossa esquerda ao longo do vale, e nós corremos atrás delas a meia encosta, para lhes cortar a saída. O garanhão começou a ficar para trás e o Paulo aproveitou para atirar de novo, conseguindo o seu primeiro animal africano. Como não havia forma de ali levar o jipe, precisámos do resto da tarde para esfolar a Zebra e levar toda a carne até a um alto onde já se conseguia chegar de carro. Nessa noite celebrámos a estreia do Paulo com o tradicional Jäger Meister, as tradições germânicas ainda estão bem presentes nesta antiga colónia dos Kaisers. No dia seguinte procuraríamos o Kudu a cavalo. Ao nascer do dia, enquanto os ajudantes e os pisteiros escolhiam e aparelhavam os cavalos, o Johnny levou-nos até a um alto para começarmos a nossa procura e as coisas não podiam correr melhor. Ao fim de poucos minutos o Steven, o pisteiro que estava connosco, descobriu quatro machos a cerca de dois quilómetros, dois deles provavelmente muito bons. Khomas oferece-nos essa grande vantagem, podemos cobrir uma vasta área desde um cume, descobrir as nossas presas e planear a melhor aproximação, ou não… Os meus companheiros estavam animados, o Pedro lembrou-se das suas caçadas aos veados nas Highlands da Escócia e o Paulo das suas caçadas a cabras e carneiros nas montanhas doutros continentes. Iniciámos de imediato a aproximação a pé e eu lembrei-me das “tareias” que já ali tinha apanhado atrás dos Kudos…

O que eu temia aconteceu
Os antílopes, embora não nos tivessem visto, começaram a andar transpondo um cume. Quando lá chegámos voltámos a vê-los mais à frente e a distância mantinha-se. O Johnny e o Steven também imaginavam que isto pudesse acontecer, porque alguns quilómetros mais à frente havia uma zona com mais vegetação onde os Kudus procuram sombra nas horas de mais calor. Fomos caminhando durante cerca de três horas, ganhando algum terreno. Até que chegámos a essa parte com mais arbustos e demos de caras com o Kudu maior na outra encosta, no meio das árvores, a cerca de duzentos metros. Era um excelente troféu, mas o Paulo não o conseguiu ver de imediato. O bicho achou que era tempo de sair dali, acompanhado de três fêmeas, que, entretanto, se lhe tinham juntado. O Paulo procurou um bom apoio, mas os animais continuavam a marcha, ora tapando-se ora destapando-se com a vegetação. Quando finalmente apareceram numa limpa estavam a quase quatrocentos metros, o Paulo disparou, mas falhou. Teria sido um belo prémio depois da caminhada, mas não foi. Às vezes ganhamos, outras vezes perdemos… agora o jipe estava a várias horas de distância e os cavalos também… Mas com o Johnny ninguém desanima e quem sabe o que poderíamos encontrar no caminho de regresso. Quando nos aproximávamos de uma área menos acidentada descobrimos um grupo de Órixes com um bonito macho. Aproveitando umas rochas iniciamos de imediato a aproximação e o Paulo teve a oportunidade de caçar o seu segundo animal africano. Apesar de não ser o Kudu serviu para que o meu amigo voltasse a ganhar alento. O Johnny foi buscar o jipe, carregámos o Órix e íamos levá-lo de volta até ao sítio dos cavalos, onde a Mariana estava à nossa espera para o transportar para a fazenda. Estávamos a caçar há mais de seis horas, o sol estava no zénite e o dia estava quente. Naquelas serras nunca sabemos bem o que se vai passar, tanto podemos andar quilómetros e quilómetros sem ver nada, como de repente há surpresas. E foi o que aconteceu, ao longe, num alto, descobri um grupo de meia dúzia de Kudus, na sombra dumas espinheiras tentando refrescar-se com uma ligeira brisa que soprava nos cumes. Eram quatro fêmeas e dois machos, um muito bom, daqueles Kudus pelos quais a Namíbia é conhecida. Desta vez os animais não abandonariam a sombra por causa do calor. Saímos do carro e vinte minutos depois estávamos a menos de duzentos metros encobertos por umas rochas. O Paulo apontou e disparou, seguiu-se a debandada numa confusão de Kudus e poeira, mas da minha posição consegui ver o macho cair morto, ficando preso entre uma rocha e uma espinheira. Depois da marcha forçada daquela manhã e do primeiro insucesso, tudo tinha mudado. O Paulo tinha conseguido, em menos de duas horas, os dois grandes antílopes mas icónicos da Namíbia, um Kudu excelente e um Órix muito bom.
Uma bonita Cabra das Pedras
Carregámos o Kudu e o Johnny disse-nos que teríamos que regressar à fazenda, o dia estava quente e era preciso esfolar os bichos quanto antes. A meio do caminho vi um casal de Klipspringers no alto de um penhasco, bati no tejadilho e apontei na sua direção. O Johnny não estava muito convencido, mas eu tinha visto que os cornos do macho ultrapassavam a altura das orelhas, não seria um excelente troféu mas era bastante bom e estava num cenário bonito para o documentário. Levámos algum tempo a decidir-nos, o casal de “Cabras das Pedras” viu-nos e resolveu procurar paragens mais seguras, dobrando a cumeada. Convenci o Johnny para irmos atrás deles, dizendo-lhe que só os procuraríamos no vale seguinte. Subimos rapidamente a encosta e não tardámos a ver a fêmea em cima dumas pedras quase no fundo do vale. Havia uns arbustos e pareceu-me ver movimento atrás da cortina de arbustos, só podia ser o macho. Ganhámos mais alguns metros descendo a encosta, sentei-me no chão e preparei o tripé. Tal como imaginava o macho saiu da proteção da espinheira para se juntar à fêmea. Estávamos a cerca de duzentos e cinquenta metros e não levou muito tempo para que mais uma FMJ, disparada pela minha fiel .308, me garantisse outro bonito Klipspringer das Terras Altas do Khomas. Chegámos à fazenda por volta das três, comemos qualquer coisa, pedi ao Johnny cartuchos e três caçadeiras e o resto da tarde foi passado a caçar rolas, gangas e galinhas do mato, no rio Kuiseb, junto ao lodge, num ambiente descontraído e gozando uns com os outros. Um excelente dia de caça, muito difícil de voltar a igualar onde quer que seja!
A brincar ao gato e ao rato
A manhã seguinte seria para procurarmos uma Zebra para mim. O Johnny queria ir até uma parte mais afastada da concessão, para evitar caçar na zona onde tínhamos estado nos outros dois dias, mas demasiado longe para irmos a cavalo. A meio da manhã descobrimos um grupo de quatro machos e a velhinha .308, desta vez com uma Swift A-frame de 165 grains, cumpriu como sempre. Um dia depois cacei um Órix, com um tiro muito largo, depois de andarmos a “brincar ao gato e ao rato” com um grupo destes antílopes, serra abaixo serra acima, sempre a pé, durante mais de três horas.

A caça; ferramenta para a gestão e conservação
Os dias foram decorrendo da melhor forma, já tinha caçado duas vezes em Khomas, há cinco e há dez anos, mas nunca tinha visto tantos animais. Deu para filmar o que queríamos e descobrimos que o Johnny tem jeito para a câmara, creio que o Sean Connery já tem substituto. Na próxima vez que for aos Estados Unidos, fazer a sua viagem anual de promoção de Safaris, passa por Hollywood e fica por lá. Fizemos-lhe uma entrevista em que explicou de forma brilhante o passado recente da Namíbia. Nos últimos quarenta anos, a maior parte das fazendas de gado e as comunidades locais começaram a olhar para a vida selvagem de forma diferente, passando a protegê-la e a caçar de forma regulada. O que era um destino de caça quase desconhecido, apenas alguns caçadores alemães ali caçavam, tornou-se um dos melhores territórios de caça do mundo. Muitas organizações de Safaris recebem todos os anos milhares de caçadores e todas as espécies, desde os mais pequenos antílopes até aos “Cinco Grandes”, mais do que triplicaram as suas populações durante este período. Por muito que alguns não queiram, a caça é uma excelente ferramenta para a gestão e conservação da vida selvagem, a Namíbia é a prova disso.
O melhor Kudu que alguma vez cacei!
O penúltimo dia era para satisfazer outro dos maiores desejos do Paulo, caçar um ou dois Facos, ou não fosse ele português. Mas quando a caça é a sério há sempre mais alguma coisa e ainda havia um prémio inesperado. Fomos até um dos planaltos onde existem várias lagoas, eu seguia na traseira do jipe com o Paulo e o Steven, quando o meu amigo transmontano, na maior das descontrações, me disse: “Está ali um Kudu, junto ao rio!” Olhei para onde apontava e não queria acreditar, era o segundo maior Kudu que vi em toda a minha vida, com os cornos quase simétricos, abertos e grossos, com uma longa espiral de três voltas completas, tudo aquilo que um Kudu pode ter. Bati no tejadilho e o Johnny percebeu logo o que se estava a passar. Saímos do carro e fomos atrás dele. O Kudu ia mordiscando as folhas verdes e aquecendo-se com os primeiros raios de sol junto ao rio, que ainda tinha alguma água. Não foi difícil chegar-nos a tiro, mas eu também queria que a caçada fosse filmada. O antílope estava bastante tapado pela vegetação mais densa da margem oposta, eu estava pronto para atirar mas o Pedro não o conseguia filmar. O Kudu começou a afastar-se pela mata fora, mas não o tínhamos espantado. Atravessámos o rio e fomos atrás dele com todas as cautelas e uma brisa fraca a nosso favor. Vimo-lo ao longe a cruzar uma limpa, ainda me pareceu maior…