O território onde se insere a zona de caça do Clube de Caça de S. Bento (BENCAÇA) tem condições bastante particulares; trata-se de uma área de micro minifúndio onde os proprietários têm bastante gado doméstico, o que tornaria muito complicado organizar uma montaria. A solução para esta associação controlar as populações de javalis é a caça de salto.
A caça de salto ao javali está prevista na Lei e autorizada a sua prática se incluída nos planos anuais de exploração. Mesmo assim, são várias as vozes – por parte do coletivo de caçadores – que se levantam contra este processo de caça que, ao contrário do que se possa pensar, nada tem que ver com um grupo de caçadores que vão disparando a javalis que saltam à sua passagem.
MINIFÚNDIO E GADO DOMÉSTICO
A organização de uma montaria em áreas e minifúndio é sempre bastante complexa, pois condiciona bastante a atividade agrícola e pecuária dos proprietários, como aconteceria aqui em pleno Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros. Neste caso, a solução para o controlo das populações de javalis poderia passar pela prática de esperas noturnas, contudo, com a abundância de alimento natural entre vários meses do ano, a eficácia desse processo de caça estaria condicionada.
Foi preciso encontrar uma solução para ir ao encontro das preocupações dos proprietários dos terrenos que fazem parte desta zona de caça, a braços com os prejuízos (e possíveis problemas sanitários) criados pelos javalis, e não só, pois o controlo das populações desta espécie é um serviço público em prol da biodiversidade realizados pelos caçadores. A solução foi colocar no plano a caça de salto e articular entre os sócios da BENCAÇA esta prática.
UM DIA DE CAÇA
Tivemos oportunidade de acompanhar um dia de caça de salto aos javalis com a BENCAÇA e confirmar como pode ser interessante e entusiasmante esta modalidade. À hora marcada encontramo-nos na sede da associação com o restante grupo de caça; uma dúzia de caçadores, um matilheiro e seus cães. Todo o grupo está experiente neste processo de caça, conhecendo bem o terreno e os locais de encames dos javalis, o que se torna fundamental para o sucesso da jornada. Iríamos começar por uma zona de mato algo extensa que estava “palpitosa” e cujos rastos da manhã tinham sido observados pelo matilheiro e confirmavam a presença dos javalis nessa área. Rapidamente transportados até ao local as armas foram colocadas de modo a ocupar os locais de maior querença dos javalis, pois é impossível com um reduzido número de caçadores “fechar” a mancha. A partir do desenrolar do trabalho dos cães a ação no terreno por parte do grupo de caçadores irá adaptando-se à situação.
TEMPORAL COM NAVALHEIROS
A verdade é que o dia estava a anunciar a chegada de uma verdadeira bátega de água acompanhada de vento forte. Mesmo assim, deu-se início à demanda programada e rapidamente se entrou em ação. Os cães deram com um primeiro porco que se colocou em fuga e passou precisamente entre dois dos caçadores estrategicamente colocados, procurando visar as passagens existentes entre os muros que delimitam as pequenas propriedades. O porco foi alcançado por um dos disparos e obrigou a um remate atribulado que, por sorte, fez levantar outro javali, também de bom porte. O resultado ao fim de uma hora de caça: dois javalis machos a mostrarem as suas defesas!
