Um estudo do IREC revelou que, durante a época de sementeira, mais de metade da alimentação da perdiz-vermelha é composta por sementes agrícolas tratadas com pesticidas.
A investigação analisou o conteúdo digestivo de 194 perdizes caçadas no outono e inverno e mostrou que cereais como trigo e cevada — cujas sementes são frequentemente revestidas com fungicidas e inseticidas — representam uma parte dominante da dieta neste período. A análise química confirmou que esta ingestão tem consequências: 33% das aves apresentavam resíduos de pesticidas, sendo o tebuconazol o composto detetado mais frequentemente. Segundo a Jara Y Sedal, estudos anteriores já tinham demonstrado que a ingestão continuada destas sementes pode provocar efeitos tóxicos crónicos na reprodução, levando os investigadores a concluir que os níveis de exposição observados no campo são suficientes para afetar negativamente as populações.

O estudo destaca ainda que a diversidade da paisagem agrícola é um fator-chave: em áreas com maior heterogeneidade de habitats e vegetação natural, o consumo de sementes tratadas foi menor. Estes resultados sublinham que o uso de sementes revestidas constitui um risco real para a perdiz-vermelha e outras aves granívoras, reforçando a importância de práticas agrícolas e de gestão do território mais sustentáveis.
Fonte: Jara Y Sedal
