Há um elevado número de atiradores e caçadores que, simplesmente, encaram a espingarda, “apontam” e disparam, descarregando a arma literalmente na esperança de que os bagos de chumbo alcancem a peça de caça ou o prato. Por aqui percebemos qual o motivo que leva a escolher as cargas mais elevadas. Vamos refletir um pouco sobre o que podemos fazer – conscientemente – para melhorar os nossos disparos, seja na caça ou na prancha de tiro para quem pretende se iniciar.
TEXTO: P. MATEO
A imagem de uma perdiz a cruzar à nossa frente, embalada com o seu voo mais veloz, depois de já ter sido falhada várias vezes nessa trajetória, cria momentos de pânico a muitos caçadores. Desesperadamente, depois de nos juntarmos à lista dos que a erraram, culpamos a espingarda, os cartuchos, ou o sol que está de frente… mas o certo, na maioria dos casos, é que esse disparo falhado tenha sido efetuado de forma pouco… produtiva, esquecendo as bases das técnicas de tiro.

DA DIREITA PARA A ESQUERDA
Vamos começar com uma situação básica que a maioria dos caçadores destros tem problemas, ou pelo menos maiores dificuldades; os disparos a alvos em movimento da direita para a esquerda. Adiantar mais, disparar mais rápido, não pensar muito e pressionar o gatilho. É isto que nos dizem! Mas… salvo raras exceções, se não tivermos uma boa mecânica corporal não vamos conseguir acertar nesse alvo. Como se encontram os nossos pés e para onde está direcionada a nossa pélvis? Serão estes “detalhes” que vão determinar a menor ou maior amplitude dentro de algumas limitações mecânicas por sermos destros ou esquerdinos (neste último caso, a maior dificuldade será da esquerda para a direita).
A IMPORTÂNCIA DOS PÉS
Existe uma margem mais ou menos ampla de onde podemos estar na zona de eficácia com um disparo sem movimentar os pés, nos disparos dirigidos para a nossa frente, mais ou menos altos. Mas tudo muda quando a peça – ou o prato – cruza de um lado para outro… Nos tiros cruzados, o que determina a nossa amplitude e movimento é a postura e sendo um pouco generalistas, a posição dos nossos pés. É muito simples: situamo-nos quietos olhando de frente para uma parede e vamos rodar a cintura (sem mexer os pés) de um lado para outro, como se se guíssemos mentalmente um alvo cuja trajetória atravessa o nosso campo visual. Repararam como é escassa a nossa amplitude? Agora vamos deslocar o pé esquerdo para a frente, com a amplitude de um passo normal, para o lado de onde vem o alvo, “encaramos” e acompanhamos a trajetória imaginária desse alvo. Muito melhor, não é verdade? Com maior amplitude na rotação da cintura, graças a termos melhorado ligeiramente a posição dos pés. Para um alvo que entrasse da direita para a esquerda, faríamos o mesmo com o pé direito. Se observarmos os bons atiradores de Percurso de Caça ou de Compak Sporting podemos vê-los a aplicar esta técnica. Há quem diga que na caça o importante é disparar rápido e “mais ou menos” onde está a peça; é esta a rotina que muitos repetem. Não é assim que conseguimos cobrar caça com regularidade e segurança, os disparos têm de ser muito bem colocados e com uma dose certa de confiança.

O NOSSO MELHOR LADO
Já comprovou qual o lado para que dispara com maior eficácia? Temos de ter consciência corporal e mental das nossas limitações, o que nos pode conduzir às melhores soluções. Todos temos um lado para o qual disparamos melhor em relação ao nosso olho diretor, experiência e mecânica corporal, estando tudo relacionado com o facto de sermos destros ou esquerdinos. Generalizando, devemos analisar se, sendo destros (encare no ombro direito), temos maior amplitude de rotação disparando para o lado esquerdo; sendo esquerdinos (encare no ombro esquerdo), temos maior amplitude de rotação para o lado direito. Isto é fácil de comprovar. Até aqui tudo bem, a questão é conseguirmos tirar vantagem do nosso melhor lado e resolver as limitações do lado inverso. Para isso é preciso treinar! As melhores disciplinas para praticar este tipo de tiro são o Percurso de Caça e o Compak, sem esquecer o Skeet, que obriga a uma elevada concentração na mecânica corporal.

