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Que ótica para caçar aos corços?

by Pedro Vitorino

A caça aos corços está a ganhar adeptos, ainda bem! Felizmente há caçadores que se interessam pelo pequeno cervídeo que se mostra em expansão. Alguns desses caçadores dão agora os primeiros passos na caça pelo processo de aproximação e, depois da primeira experiência, confirmam que os terrenos por onde se move o “duende” são bastante distintos daqueles por onde andam veados e gamos.

Na maioria dos locais onde se caça ao veado durante o período da brama, momento de excelência para a caça de aproximação, os terrenos são mais abertos; o veado (e o gamo) precisa de mais espaço, tem comportamentos distintos do corço e também se vê melhor, pelo seu porte. Por todos estes motivos é natural que muitos (talvez demasiados) tiros sejam feitos a distâncias consideráveis. E, por isso mesmo, há cada vez mais caçadores a montar nas suas carabinas miras telescópicas com muitos aumentos.

Aumentos e campo de visão

Na verdade, mesmo para executar esses disparos a “distâncias consideráveis” não precisamos de muitos aumentos. Uma boa mira com 10x a 12x cumprirá em todas as situações de tiro na caça aos nossos dois cervídeos de maior porte. Bem, mas o corço é mais pequeno? Sim, é verdade, mas os terrenos onde são caça dos também são muito distintos, mais fechados e muito raramente a proporcionar disparos longos, pelo menos nas zonas florestais mais densas de Trás-os-Montes e da Beira Alta. Tendo em conta os relatos de caçadores que nos últimos tempos se têm dedicado a caçar corços em terras lusas, os disparos muito raramente ultrapassam os duzentos metros, sendo muito mais frequente as ocasiões e tiro em locais fechados. Por isso mesmo, será uma boa ideia privilegiar o amplo campo de visão em detrimento do número de aumentos. Pessoalmente, considero um erro ir caçar corços em Trás-os-Montes com uma mira 6-24x (muito em voga…), independentemente da abertura da lente objetiva.

Luminosidade

Entendemos por “luminosidade” a capacidade da mira aproveitar a luz ambiente; uma mira com maior luminosidade (transmissão de luz) permite-nos caçar durante os períodos crepusculares com melhores condições. E este fator é bastante importante, pois será precisamente nesses momentos, entre a noite e o dia e vice-versa, que os corços se mostram mais ativos. Para escolhermos uma mira com boa luminosidade devemos ter em conta dois fatores:

• O índice (ou fator) crepuscular, que é um dado técnico (um resultado aritmético, função diâmetro da lente objetiva e do número de aumento);

• A qualidade ótica. Se eu tiver (e puder!) optar por um destes, será sem qualquer dúvida a qualidade ótica. De nada servirá comparar o índice crepuscular de duas miras de fabricantes distintos. Por exemplo, uma mira 1,5-6×42 tem um fator crepuscular menor do que uma mira 3-12×56, independente mente do fabricante (é um resultado aritmético, como já referi). No entanto, a qualidade ótica das lentes irá fazer toda a diferença quando estivermos no terreno.

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