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Determinar a abundância de perdiz-vermelha

by Jesus Llorente

Quantificar as perdizes existentes num território é quase sempre uma dor de cabeça para as entidades gestoras das zonas de caça. Existem vários estudos sobre as metodologias a aplicar e outros que mostram a densidade em função das características do habitat.

Os métodos de censos ajudam-nos a quantificar a abundância das populações (Tellería, 1986). Para conhecer a abundância de perdiz-vermelha em meios agrícolas abertos, os transectos ou percurso com veículo a baixa velocidade permitem determinar os exemplares observados em faixas de largura variável, de forma a que os resultados se possam referir à unidade de superfície. Em áreas dedicadas ao culto de cereais, para estimar com precisão densidades populacionais, recomenda-se percursos de transectos próximos dos 50 quilómetros (Fortuna, 2001). Quanto aos períodos do ano mais propícios, são variados em função das necessidades e possibilidades. Recomenda-se levar a cabo as ações de censos no início da temporada de caça se se quer estimar a eficiência reprodutiva. Na primavera para o acompanhamento da população reprodutora. No inverno permite-se quantificar a mortalidade outonal, incluindo a resultante do aproveitamento cinegético (Nadal et al., 2001). Estimar a abundância de perdizes no verão, depois das ceifas, é um bom indicador da proporção de perdigotos e da futura disponibilidade de exemplares silvestres para caçar no outono (Viñuela et al. 2013). Para além disso, o verdadeiro valor das contagens ou censos radica não só no resultado concreto obtido, mas também na possibilidade de comparação desse valor entre estações e entre vários anos (Nadal et al. 1989), mas para isso esses trabalhos têm que ser rigorosos e contínuos.

Estudos concretos

Existem vários estudos concretos realizados sob condições específicas durante vários anos que podem ser tomados como modelos. Por exemplo, um estudo realizado na região de Soria, em Espanha, durante 2001 e 2010 ajudou-nos a compreender a dinâmica da perdiz-vermelha e responder a várias questões que se colocam a qualquer gestor de caça.

Metodologicamente utiliza ram-se itinerários de 50 quilómetros percorridos em veículo todo-terreno ocupado por três pessoas (um condutor mais dois observadores) a baixa velocidade durante as primeiras três horas da manhã, coincidindo com o período de máxima atividade para a espécie (Duarte et al., 2014). Repetiram-se durante cinco ocasiões em cada estação. Durante os percursos anotavam-se os avistamentos registados em cada lado da linha de progressão, anotando a distância ao exemplar.

Quantas perdizes há por unidade de superfície?

O valor médio da densidade de perdizes por cada 100 hectares (ha) durante o período do estudo apresentou variações importantes em função da estação a que correspondem os dados. Como seria de esperar, a primavera, com 1,6 +|- 0,6 perdizes/100 ha, registou o valor mínimo, enquanto o valor mais elevado corresponde ao verão com 9,7 +|- 5,0 perdizes/100 ha.

Como variou a densidade?

A densidade média de perdizes registou valores muito vari áveis em função da estação, com máximos populacionais durante os percursos de verão e mínimos durante a primavera. Ao logo dos anos do estudo o padrão repetiu-se, se bem que tenha havido variações nos valores registados em cada estação entre os vários anos. Da análise da série de estações trabalhadas, chama-nos a atenção a importante e reiterada diminuição da abundância que se regista entre a densidade determinada durante o verão e a do outono, apesar de que os percursos dos transectos se tenham realizado antes do início da temporada de caça. A predação que sobre a espécie nos meses de agosto, setembro e metade de outubro e o impacto da maquinaria agrícola e do furtivismo durante o período de caça às migradoras de verão podem explicar essa importante diminuição do número de efetivos (Nadal et al., 2001 e 2002).

Variação da densidade de perdizes adultas

Ao longo dos anos do estudo, o número de exemplares adultos variou conforme diferentes padrões. Durante a maior parte dos anos, a população registou um decréscimo no número de perdizes adultas conforme passamos do inverno para a primavera e desta ao verão. Os anos de 2001, 2002, 2005, 2006 e 2008 cumpriram este padrão, se bem que as variações apresentam diferentes intensidades. Por outro lado, nos anos de 2003 e 2007 a tendência esperada não se manteve, ou foi contrária ao incrementar a abundância segundo passam as estações. A diminuição do impacto da predação e os movimentos migratórios explicaram estes resultados. Da série analisada, o mínimo valor registou-se no verão de 2006, com uma diminuição importante do número de efetivos entre a primavera e o verão, que parece ter indicado que as condições desse ano foram mais extremas que os restantes anos analisados e afetaram de forma muito importante a sobrevivência dos exemplares durante o período de criação.

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