Os calendários venatórios para a época 2026/2027 nos Açores reforçam a caça ao coelho-bravo em várias ilhas, na sequência do aumento da abundância da espécie, ao mesmo tempo que mantêm ou reforçam medidas de conservação dirigidas às espécies consideradas mais vulneráveis.
Os novos calendários definem para cada ilha as espécies cuja caça é permitida, os períodos venatórios, os limites de captura, as áreas autorizadas e os processos de caça admitidos. A elaboração das regras resulta do trabalho da Direção Regional dos Recursos Florestais e Ordenamento Territorial (DRRFOT) e tem por base a monitorização das populações cinegéticas, estudos técnico-científicos realizados pelos Serviços Florestais e a auscultação de caçadores, agricultores, produtores florestais e entidades de defesa do ambiente.
Entre as principais alterações para esta temporada está o reforço da caça sobre o coelho-bravo, considerado pelas autoridades uma ferramenta de gestão e controlo populacional perante o aumento da espécie em várias ilhas. Em São Jorge, o período de caça passa de 68 para 106 dias, enquanto o limite diário aumenta de 10 para 30 coelhos por caçador. Nas Flores, a época venatória passa de 46 para 158 dias, com o limite diário a subir de oito para 10 exemplares por caçador.
A monitorização das populações determinou também a manutenção de medidas restritivas para espécies com sinais de maior vulnerabilidade. É o caso da narceja-comum, cuja caça continua interditada em São Miguel, Terceira e Faial, devido ao declínio registado nos efectivos nidificantes. Já relativamente à galinhola, houve uma diminuição do número de dias autorizados e da introdução de novas restrições em algumas ilhas. Para as restantes espécies cinegéticas, os níveis de exploração mantêm-se, de forma geral, próximos dos da temporada anterior, acompanhando a avaliação de estabilidade das respectivas populações.
Segundo o Açoriano Oriental, na apresentação dos calendários, o secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, destacou a capacidade de adaptação, defendendo que os Açores dispõem actualmente de um modelo de gestão baseado na monitorização contínua, na participação das organizações do sector e no ajustamento das medidas sempre que a evolução das espécies o justifique.
Fonte: Açoriano Oriental
