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O que devemos fazer para prevenir e evitar o medo dos tiros

by Jesus Barroso de la Iglesia

É uma pena que ano após ano, época estival após época estival, época geral atrás de época geral, acontece sempre a mesma coisa que, aliás, sabemos bem como termina. E o tema é: os cachorros que ficam com medo dos tiros. É igual os artigos que escreva sobre isto, ou os vídeos que se publiquem no nosso canal de Youtube, a falar sobre como fazer uma iniciação correta, da importância do estímulo positivo e, entre eles obviamente, o tiro…

A pressa, a vontade de querer que cacem demasiado cedo ou o facto de simplesmente ignorarem os conselhos que damos, levam a que esta desgraça aconteça. Sim amigos, desgraça, porque o medo aos tiros é muito complicado de eliminar, leva muitíssimo tempo e, além disso, ninguém pode assegurar que não volte a acontecer em determinado momento. Ninguém. Mas não vou escrever nem uma linha sobre como “solucionar” o problema, pois já falei disso várias vezes. Neste artigo, vou falar-vos de como prevenir e, dessa forma, evitar o medo dos tiros.

CARÁTER E SENSIBILIDADES

Já vos disse muitas vezes que estes dois conceitos irão formar o temperamento do cão, e sobretudo podemos deduzir acerca da sua capacidade de associação, dependendo em maior ou menor medida do caráter e das sensibilidades. Também as experiências vividas, os lances de caça, o dia a dia de cada cão… Tudo isso, juntando ao caráter e às sensibilidades, vão levar a que um cão se comporte de uma ou outra forma, diante de um estímulo novo. Estão familiarizados com isto que eu acabei de dizer, certo? Acredito que sim, até porque falo disto em muitos artigos, pois são a chave para conquistarmos o “sorriso do cão”. Tendo esta lição bem aprendida, vamos observar o nosso cachorro no dia a dia. Claro, isso é fundamental. Não convivem com o vosso cachorro? Não se preocupem, a observação resume-se ao tempo em que o soltamos e socializamos com ele. A socialização é fundamental; terreno novo, pessoas desconhecidas, outros animais, outros cães, carros, motos, vários barulhos diferentes… Tudo isto, além de “habituar” o nosso cachorro e proporcionar- lhe experiências novas que formam a correta socialização, também nos vão ajudar – através da observação, obviamente – a ir percebendo o caráter e as sensibilidades e, ainda, a sua capacidade de associação.

VAMOS OBSERVAR

E o que é que temos de observar? Se no dia o dia o nosso cachorro é um pouco assustadiço, falando tecnicamente diríamos que tem umas sensibilidades auditivas ou visuais elevadas. Se está a passear na rua com ele, e um saco de plástico que está no chão voa, por exemplo, e ele retrocede, está a dizer-nos que as suas sensibilidades visuais são elevadas. Deverei então começar a preocupar-me? Não, mas deve ter sim em conta que as sensibilidades estão “apuradas”. É um sinal para que comecem a observar as reações do vosso cachorro aos ruídos fortes, por exemplo, o barulho do camião, o aspirador da casa, bater com o martelo, etc. Observei-o e vejo que não se assusta. Pois então ótimo. Observei- o e sim, assusta-se um pouco, ou assusta-se muito. Então devemos tornar esses estímulos, esses barulhos, em algo positivo. Como? Tentando que associe esses barulhos que o assustam com algo positivo, e para isso nada melhor que a comida. Vamos levar algo que ele goste muito e expô-lo a esses barulhos de forma progressiva, dando-lhe comida quando ecoar um barulho desses. Muito olho, e não confundir isto com levar o cachorro a um campo de tiro e ir aproximando-nos e dando-lhe recompensas. Não, não façam isso. O ouvido do cachorro ainda não se desenvolveu completamente, pelo menos até aos seis meses, pelo que não é aconselhável expô-lo a intensidades de barulho muito altas antes desse tempo.

COMO INICIAR O TIRO SEM RISCOS

Depois de observar, de habituar e de positivar esses barulhos que parece que o retraíam ou que o assustavam um pouco, é o momento de iniciar o tiro. Eu esperaria no mínimo até aos 6 meses, para o ouvido se desenvolver e a partir dos cinco deixaria que picasse a caça, que parasse, que a perseguisse, que encontrasse, que a espantasse e a perseguisse. Depois de mais um mês assim, iria atirar. Quando? Quando o meu cachorro perseguir uma peça e esta estiver suficientemente longe. E o que é que é suficientemente longe? Cinquenta metros, por exemplo. Tudo aquilo que não for fazer isto, é um risco desnecessário que pode correr bem ou não e, mesmo que corra bem será um risco. E o risco, como já me ouviram dizer várias vezes, é para ser corrido no casino.

A MAIORIA DOS CASOS CAÇA EM ESPERA

Sabem onde é que acontecem a maioria dos casos do medo aos tiros? A caçar em espera (ao tordos, pombos…). Sabem porquê? Porque o cão está a ouvir um tiro enquanto está quieto; não persegue, e a sua adrenalina, que normalmente disfarça o tiro porque baixa as sensibilidades, não o ajuda no posto porque está relaxado, não está em modo de caça, não está a perseguir uma peça. Entendem melhor isto agora? Espero que sim…

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