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8 conselhos para caçar um veado na brama sem stresses

by Redação

Caçar na brama é algo muito peculiar, o caçador tem de ficar pendente desse período – a entrada no cio das cervas – para conseguir entrar no campo a “ouvir” os veados. Na verdade não é muito diferente de caçar na ronca (gamo) ou no período do cio dos corços. Há que esperar pelo momento certo. Por isso, o melhor é ter tudo preparado para quando tal acontecer… sair a caçar!

Texto: IA SANCHEZ

Quem faz esperas aos javalis durante boa parte do ano também tem presente que dever ter tudo preparado e qual a forma de proceder para aproveitar um dia que parece “palpitoso”, com condições favoráveis (principalmente de vento) e assim tentar enganar o seu adversário, um grande navalheiro. Mas voltemos aos veados! Quando chega a brama, quase sempre somos apanhados desprevenidos… essa é a realidade. O que é compreensível, ao contrário das esperas, que são atividade anual, a caça de um veado por aproximação é algo único, mesmo para aqueles que se dedicam com afinco à caça de aproximação. Poucos dias e poucas saídas de caça permitem poucos erros, para não dizer nenhuns. Convém, portanto, não cair neles e ter claras umas poucas coisas que facilitarão em grande medida o nosso objetivo.

1. A brama antes da brama

A caça na brama não começa apenas quando numa tarde de setembro em que a temperatura tem uma baixa abrupta e se ouvem os primeiros bramidos; aí será o momento de pegar na arma. Mas a “caça” deverá ter começado antes, talvez umas semanas antes, as quais serão dedicadas a estudar a área de caça, as entradas e saídas dos veados, os ventos dominantes e os locais ideais para observar todo o movimento. E, claro, servem igualmente para ir “marcando” este ou aquele exemplar que será o nosso objetivo. Convém no entanto não esquecer que, apesar dos veados não nascerem do chão, podem entrar na nossa zona de caça exemplares que durante todo o ano se refugiam em outro couto. No entanto, ter conhecimento sobre a área a caçar não só nos dará vantagem como também permitirá desfrutar da caçada de outra forma.

2. Armas e munições bem afinadas

Não vamos caçar javalis de espera, nem corços de aproximação, vamos caçar veados. Podemos ter uma carabina pronta que sirva para tudo, não há dúvida, mas há algumas coisas que devem ser consideradas no que diz respeito ao conjunto (arma/ótica/munição) que devem ser consideradas. Feita a escolha, há que ir a uma carreira de tiro comprovar a boa afinação do equipamento. E se a mira telescópica tem montado uma “torreta” de correção balística, então deve efetuar vários testes de modo a perceber (e confirmar) a utilização da mesma.

3. Um calibre adequado

Aos falarmos de armas para caçar um veado de aproximação também temos que abordar o tema dos calibres adequados. Muitos servem, é verdade, mas nem todos são adequados. Podemos admitir que para caçar um veado o calibre mínimo será o .243 Winchester, ou outro equiparado em diâmetro do projétil e energia desenvolvida. Não nos devemos esquecer que em alguns locais um veado pode alcançar os 200 quilos – e até superar. Mesmo assim, o “pequeno” .243 Win. conseguirá deitá‑lo abaixo num disparo bem colocado. O problema é se não temos outra oportunidade que não seja efetuar um disparo com o veado numa posição menos favorável. E se ferido, cobrar um veado pode ser a carga dos trabalhos. Ao contrário do que pensa a maioria (por comparação ao javali), um veado adulto e bem constituído é um animal muito resistente. Feitas as contas… o melhor é mesmo apostar em algo acima do .270 Winchester, ou 7×64 e, muito melhor, num magnum como o 7mm Remington Magnum ou .300 Winchester Magnum. Acima disso, sem ser um exagero, não será uma necessidade.

4. Check‑list

Tal como para a carabina, a mira e as munições, também deve ser feito uma check‑list para o restante equipamento. Tal como para as esperas, em que temos na mochila a lanterna, a loção antimosquitos, um termo, etc., para esta caçada deve haver o mesmo cuidado. O equipamento necessário depende da forma como decorrerá a caçada, por exemplo, se caçar sozinho – o que hoje é possível em várias zonas de caça associativas que contam com boa presença de veados – ou, pelo contrário, levará a companhia de um guia de caça, que ajudará a recuperar o animal caçado.

5. Sem precipitações!

Finalmente no campo e ouvimos os veados bramar. Um deles encaminha-se por um barranco abaixo, parece que só temos esta oportunidade… o ângulo de tiro é favorável, nem sequer a posição para colocar as varas de apoio da carabina. Um tiro sem apoio? Não! Nada de precipitações. O tiro na caça de aproximação deveria ser a parte mais simples da caçada. O foco deve estar na aproximação a um animal sem que este dê pela nossa presença, esse é o momento “mágico” da caçada. Durante o período da brama enfrentamos animais que têm os seus instintos de defesa diminuídos, “cegos e surdos” pelos amores. Uma pedra que deixamos rolar ou uma espreitadela mais descoberta denuciar‑nos‑ia num qualquer outro momento fora deste período. Assim, a brama é o momento ideal para tentar a aproximação perfeita.

6. Se a montanha não vai a Maomé…

Frequentemente vemos nos documentários de caça os veados bramando nos limpos do montado, em campo aberto correndo atrás de dezenas de cervas. A realidade poucas vezes é assim, esse cenário ocorre em propriedades cercadas e com densidades frequentemente “pouco naturais” de veados. Não quer isso dizer que nas áreas de caça abertas (sem rede cinegética) isso não possa acontecer, mas não é o mais comum. Os veados procuram o mato, a floresta, e podem passar a brama sem abandonar esses refúgios, exceto quando o dia se põe. E se o veado não sai, então nós temos de entrar… Estratégia que nem sempre nos sairá bem, antes pelo contrário, mas por vezes temos nestas condições os momentos mais emocionantes da caçada.

7. A brama sem bramidos

A brama é muito mais do que ouvir os bramidos do veado macho, do ponto de vista cinegético não podemos estar totalmente condicionados aos momentos de atividade sonora. Os veados bramam mas não passarão quatro semanas bramando 24 horas por dia, nem pouco mais ou menos. Não são poucos os caçadores que saem para o campo e confirmam o silêncio absoluto e… dão meia volta pensando que não há nada a fazer. Também não é assim. As cervas estão juntas e os machos dominantes estão com elas, ou pelo menos muito perto em busca de uma briga com outro macho mais jovem ou para consumar o ato com as fêmeas. Sem brama também pode haver caça e embora não seja tão espetacular – e tão eficaz! – não seria inédito conseguir caçar nessas condições o nosso melhor troféu de veado.

8. Desfrutar

Poucos momentos de caça maior são tão espetaculares como a brama. A caça de aproximação permite‑nos fazer parte da natureza, apreciando o campo sem que este dê pela nossa presença. Claro que estamos ali com o objetivo de caçar um veado, mas ao contrário de um posto de montaria, que pode ser uma valente seca, uma jornada de caça na brama dá‑nos sempre algo para desfrutar, sentir e memorizar; uma raposa que termina a sua volta noturna, os javalis que regressam aos encames… Se atiramos, muito bem. Se não atiramos, também deve ficar tudo bem. Claro que para quem se inicia a “pressão” é muito maior, mas mesmo assim, o objetivo deverá ser desfrutar. O momento vai aparecer…

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