Peso, volume e centímetros… nenhum outro dos nossos troféus de caça maior é tão complexo de avaliar como o corço. Se quisermos falar de corços “grandes”, verdadeiros grandes troféus, então vamos ter de compreender inexoravelmente
essas três palavras. Vamos a isso!
TEXTO: OLIVER PRIETO
Em primeiro lugar esclareço que este artigo não é mais do que uma opinião de um apaixonado pelo corço e que conta 25 épocas procurando desvendar os mistérios do “Duende dos Bosques”. Além disso, tive a sorte de poder caçar nas melhores áreas de Espanha e em alguns dos melhores destinos de caça ao corço na Europa. Tenho ainda o privilégio de poder usufruir em cada época de caça de 70-80 saídas aos corços, para os caçar ou acompanhar e tenho uma coleção de cerca de 300 mandíbulas, entre machos e fêmeas caçados. Resumindo, sou um “fanático” dos corços, que procura tudo e mais alguma coisa sobre esta espécie, que me continua a surpreender e a fazer descobertas. Depois de lerem o parágrafo anterior, conto ter chamada a atenção de todos os que como eu gostam demasiado de corços. Portanto, penso que estamos em boa companhia.
O QUE É UM CORÇO GRANDE?
“Grande corço!”; todos já ouvimos isto. Pois vamos começar por terrenos “pantanosos”, mas na minha opinião um corço é grande quando depois de medido e homologado ultrapassa a fasquia dos 150 pontos CIC. Bem, então por que não 140 pontos? Ou 160? Eu explico, rapidamente. Faço parte da Junta de Homologação de Troféus na Comunidade de Madrid há quase dez anos, medindo e homologando um número de troféus de corço todos os anos. Medimos muitos troféus homologados com ouro, mas os que ultrapassam os 150 pontos CIC, são muito poucos. Há muitos corços que na “foto” parecem ter 160-170 pontos e até 200 pontos… mas quando vão à balança, se avalia o volume e somamos os pontos…. poucos são os que ultrapassam a barreira dos 150 pontos.

O QUE NECESSITA UM CORÇO PARA ALCANÇAR ESSA PONTUAÇÃO?
Principalmente devem cumprir-se duas condicionantes para podermos encontrar grandes troféus de corço e três para os muito grandes. Para os primeiros, uma predisposição genética e umas condições de acesso a alimento e água corretas. Alguns dirão que um corço desses deve também ter idade, mas nos 25 anos que levo a procurar informação sobre a espécie posso dizer que se um corço não é bom ao terceiro ou quarto ano, dificilmente será melhor. Deixei muitos corços cumprir quatro, cinco e seis anos que nunca foram o troféu que tinham sido ao terceiro ano. Inclusive alguns deles regrediram consideravelmente. Tive corços na mão que deram ouro com a segunda cabeça e corços muito grandes (mais de 170 pontos CIC) na sua terceira cabeça. Não vou entrar em “questões éticas” e apenas vos digo que pre firo caçar corços adulto e velhos, mas não nos enganemos, todos gostamos de ter um grande troféu na parede. Os segundos (os corços muito grandes), obviamente necessitam também de uma predisposição genética, comida e água em abundância e, o mais importante, levar a sua vida em zonas de densidades populacionais baixas, ou mesmo muito baixas. Para constatar isso basta prestar atenção onde se têm caçado esses “monstros” que vimos nas redes sociais. Claro que falamos de zonas abertas, sem cercas. E, claro, isto é uma tendência, não é matemática.
QUE CORÇOS DEVEMOS CAÇAR?
Há bastante livros e artigos que abordam este controverso tema. No meu caso, tomei como referência também o que fui observando ao longo dos anos, mas considero que é importante procurar literatura de qualidade. Uma referência é o livro de Pavel Scherer – “Corços e suas hastes; a experiência de uma vida de guia”, em inglês. Nesses livros encontrei referência ao facto de que os corços que mostram rosetas finas jamais poderão ser bons troféus. Com os meios óticos que temos atualmente, podemos de alguma forma avaliar as rosetas, deixando para segundo plano o resto do troféu que nos entra primeiro pelos olhos dentro e em várias ocasiões nos levam a cometer erros no momento de selecionar um ou outro animal. Não quero concluir sem antes sublinhar que com o corço não há receitas mágicas nem teorias absolutas. Quero lembrar que o mais importante é desfrutar da caça, de valorizar o lance e aprender. Disparar é o mais fácil, está ao alcance de todos; o resto, só ao alcance de poucos.

