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A importância da formação das penas no voo

by Redação

Quase todas as aves usam as suas asas como meio para escapar aos predadores, e a sua forma específica adapta-se às suas circunstâncias individuais. No caso da perdiz, esta ave utiliza um arranque rápido, explosivo e ruidoso para tentar assustar os seus predadores. Para isso devem coordenar as patas, as asas e as penas das asas para criar uma força propulsora e um som forte e rítmico.

Texto por: Jesús LLorente GiL (Doutor em eng. florestal)

Por isso o estado das suas asas influenciará a capa cidade de fuga da perdiz. Uma recente investigação da equipa do Dr. Nadal (https:// doi.org/10.1093/biolinnean/ blx130) analisa o importante efeito do comprimento das penas das asas na capacidade de fuga dos exemplares segundo as diferentes classes de idade e sexo. A vida em grupo é uma estratégia comum para sobreviver aos ataques dos predadores. Os indivíduos num grupo aprendem a melhorar as suas habilidades de fuga ao longo das suas vidas e a sua crescente experiência aumenta a capacidade do seu grupo evitar e sobreviver aos ataques dos predadores. As presas geralmente devem alimentar-se enquanto cuidam e evitam o ataque dos seus predadores. Como primeira estratégia, as aves mantêm uma distância segura aos predadores, mas quando os predadores se aproximam, voam para se afastarem. Durante situações de alto risco, como o ataque de um predador, as perdizes exibem um poderoso salto usando as suas patas e logo batem as asas para tomar o voo. Esta capacidade de iniciar uma fuga rápida permite às perdizes frustrarem os ataques dos predadores. O arranque explosivo que proporciona suficiente inércia para voar e gerar uma explosão de ruído sobressalta os predadores. Para ganhar voo, uma perdiz deve gerar suficiente elevação e força para levantar o seu peso e logo empurrá-la para a frente. Durante o arranque, a amplitude das asas está ao máximo, enquanto no voo ascendente ou descendente a superfície da asa diminui. Esta forma especializada de ganhar voo é facilitada pela forma da ponta da asa, especificamente a forma e as propriedades das penas primárias distais. A superfície da asa, forma e peso de cada ave estabelece as restrições aerodinâmicas básicas para o voo. As relações entre o comprimento da asa, comprimento da pena primária e peso definem os aspetos do rendimento do voo. A estrutura das penas também está influenciada pelo hábito de voo de uma espécie. As aves com um forte voo têm penas primárias mais robustas e maior densidade de penas. A forma das penas também tem influência. No caso da perdiz, machos e fêmeas diferem no tamanho e forma do corpo, e o tamanho individual também está relacionado com a idade e posição hierárquica no bando. Portanto, classe de idade-sexo, condição corporal e posição no grupo estão inter relacionados e definem o papel do indivíduo dentro e entre os grupos sociais. À medida que as aves envelhecem, a sua capacidade locomotora e aerodinâmica aumenta o rendimento e melhora a morfologia das penas de voo. Podemos esperar parâmetros escalados de corpo e um rendimento aerodinâmico equilibra do entre as diferentes classes de idades e sexos, dado que escapar com êxito aos predadores requer capacidade de voo equivalente em juvenis e adultos de ambos os sexos. Os juvenis e as fêmeas têm menos massa corporal, enquanto os adultos e os machos são maiores, o que requer a necessidade de compensar o aumento de peso com maior potência muscular e superfícies de asa maiores para conseguirem uma velocidade de voo similar. Podemos esperar que juvenis e fêmeas, ao serem mais pequenas, possam ser melhores voadores. No entanto, não há dados de como variam o tamanho das asas com a classe de idade e sexo nas perdizes.

A FORMA DAS PENAS

A forma da ponta das penas e o ângulo diédrico das penas primárias distais têm consequências aerodinâmicas e exercem uma influência notável no rendimento do voo. As aves com asas mais pontiagudas voam mais rápido e aqueles indivíduos com penas de asa mais rombas mostram maior manobrabilidade. A velocidade de voo e a manobrabilidade também dependem das características aerodinâmicas do corpo. Podemos, portanto, esperar pontas relativamente pontiagudas em asas de perdizes jovens e relativamente arredondadas nas perdizes adultas. As penas primárias são maiores em machos do que em fêmeas, já que a velocidade e manobrabilidade de um indivíduo estão influenciadas pela sua idade, tamanho e peso e estão relacionadas com o sexo. No estudo, analisou-se a proporção e variação morfométricas entre diferentes idades e sexos. Depois de analisar quase dez mil perdizes silvestres a equipa de investigação concluiu que havia diferenças significativas entre as classes de idade e sexo. Os comprimentos das penas foram posicionados entre classes de idade e sexo da seguinte forma: Fêmea juvenil < Fêmea adulta < Macho juvenil < Macho adulto.

Os investigadores concluíram que o tamanho das rémiges primárias mais externas se diferencia entre classes de idade e de sexo da perdiz. Por isso com o crescimento da ave a forma da ponta asa muda de uma forma mais pontiaguda nos juvenis (para aumentar a velo cidade de voo) para uma forma romba em adultos (para uma maior manobrabilidade de voo).

RENDIMENTO DE VOO

Há uma relação clara entre a morfologia da pena e o rendimento aerodinâmico. Assim os exemplares mais velhos têm primárias distais mais rígidas e um maior grau de sobreposição. Estas características geram maiores relações de sustentação e arraste que nos exemplares juvenis, cujas asas têm penas mais flexíveis e menos sobrepostas. As pontas das asas mostram diferentes padrões dependendo das diferentes classes de idade, que influenciam a resistência, elevação, rigidez, potência de batimento de asas e capacidade de voo. Em aves jovens, as nona e décima penas primárias são leves, flexíveis e pontiagudas, enquanto nos adultos são mais redondas, mais rígidas e têm mais densidade. Por último, tenhamos em conta que o êxito do bando perante os ataques dos predadores também depende da resposta coordenada do grupo. O arranque, o voo e aterragem combinam-se para dar vantagem significativa aos indivíduos do bando.

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