A Fundación Artemisan e o Safari Club Internacional Iberian Chapter lançaram um estudo que pretende analisar, pela primeira vez em Espanha, a dimensão do furtivismo, os danos que provoca e a forma como este fenómeno é percecionado pela sociedade.
O projeto, denominado “Encuesta sobre la percepción social y el impacto del furtivismo sobre la conservación de la biodiversidad en España”, pretende colmatar a falta de dados sistemáticos sobre a incidência deste tipo de crime, as suas motivações e consequências. Segundo os promotores, a investigação terá uma abordagem empírica e multidisciplinar e procurará produzir informação que possa contribuir para melhorar as políticas de prevenção, vigilância e combate ao furtivismo.
Os responsáveis pelo estudo fazem questão de distinguir o furtivismo da atividade cinegética legal. O furtivismo constitui uma violação da legislação e dos direitos dos titulares dos terrenos, envolvendo a captura ou abate ilegal de animais. Segundo a Fundacion Artemisan, os promotores consideram ainda que as suas consequências podem ultrapassar a dimensão estritamente cinegética, afetando as populações de fauna selvagem, a biodiversidade e a gestão sustentável dos recursos naturais. Entre os potenciais impactos identificados encontram-se a retirada ilegal de exemplares, alterações na estrutura das populações e a eliminação de indivíduos reprodutores com particular importância para determinadas populações.
O estudo contará com duas pesquisas online, analisadas e aprovadas pelo Comité de Ética da Universidade de León, instituição que colabora no projeto. Uma das pesquisas será dirigida a proprietários e gestores de terrenos de caça maior, enquanto a segunda será dirigida à população em geral, incluindo pessoas ligadas ao setor cinegético e cidadãos sem ligação à caça. A investigação pretende, desta forma, cruzar a experiência daqueles que lidam diretamente com situações de furtivismo com a perceção que a sociedade espanhola tem deste tipo de crime.
Entre as questões que serão estudadas está a eventual existência de tolerância social ao furtivismo em determinados territórios, bem como a forma como a população distingue um caçador que exerce legalmente a atividade de alguém que pratica furtivismo. Os investigadores procurarão ainda perceber se determinadas formas de furtivismo são consideradas socialmente justificáveis por razões culturais, económicas ou de necessidade.
Além da recolha de dados, o projeto pretende produzir relatórios técnicos destinados às administrações competentes e um documento com propostas de alteração legislativa. O estudo pretende, assim, contribuir para colocar o furtivismo no centro do debate sobre conservação da biodiversidade, gestão da fauna selvagem e proteção dos territórios rurais, fornecendo dados que permitam compreender melhor a dimensão do fenómeno em Espanha.
Fonte: Fundacion Artemisan
