Antes do início da época de caça muitos são os que se questionam: “Onde vou caçar este ano?”. Esta é a grande questão para muitos (cada vez mais) caçadores que, infelizmente, viram as suas zonas de caça degradarem-se, por motivos variados que não vamos hoje tratar, ou que estão fartos de saltar de “barrete em barrete”. Mas será que existe a zona de caça perfeita?
Falámos com vários caçadores, com diferentes tipos de experiência (em anos de caça), e colocamos aqui aquelas que foram as suas principais preocupações e pontos de vista quando procuram a “zona de caça perfeita”. Provavelmente a zona de caça perfeita existe, mas não é nada fácil de encontrar, e não nos referimos sob o ponto de vista de gestão cinegética, pois este artigo foi pensado para o leitor que pratica caça menor de salto, que paga uma anuidade (ou mensalidades durante o ano) para poder praticar a sua paixão, que é a caça.
Podemos desde já considerar duas opções:
• Entrar como sócio de um Clube ou Associação de caçadores que tenha uma zona de caça (Zona de Caça Associativa – ZCA); • Pagar uma “ação” (pacote) numa Zona de Caça Turística (ZCT), habitualmente com menos caçadores a partilhar a mesma zona de caça.
Vamos deixar de lado, por motivos óbvios, as Zonas de Caça Municipais, onde se comercializam jornadas de caça. Portanto, em ambas as opções (sócio de um Clube ou Associação ou “ação” numa ZCT) o caçador poderá realizar desde várias jornadas de acordo com o que venha a ser estipulado no regulamento da ZCA ou acordado com a ZCT. Idealmente estas zonas de caça realizam ações de gestão cinegética durante todo o ano, tentando manter os níveis populacionais das espécies cinegéticas. Menos que o não consigam, por diversos motivos, devem trabalhar para esse fim.
O Clube ou Associação de Caçadores
Esta é habitualmente a primeira opção, motivada não só por motivos económicos como também pela intenção de fazer parte de um “grupo de caça”. É muito frequente o novo sócio ser considerado um “forasteiro”, que terá de acatar todas as regras que estão em vigor nessa associação. É muito importante para o novo sócio conhecer os elementos da Direção, saber alguns detalhes dos acordos com os proprietários (utilização da terra, etc.), assim como da gestão corrente da associação e da sua zona de caça. Ao mesmo tempo deve estar preparado para participar nos trabalhos frequentes levados a cabo pela associação e partilhados entre todos os seus elementos. Deixando de lado a parte administrativa entramos na parte da caça. O mais provável é que essa zona de caça tenha sido formada num período de relativa abundância de caça menor, principalmente de coelho-bravo, peça-chave na formação de muitas ZC. Atualmente nem o coelho, nem a lebre e nem a perdiz vivem bons momentos no que diz respeito à sua abundância, por isso algo que deve de início ser averigua do (para evitar mal-entendidos) é saber quantas jornadas fazem parte habitualmente do plano de caça da ZC, que espécies são mesmo mais abundantes e em que períodos do ano. Quanto às perdizes, deverá o pretendente a sócio (se a caça a esta espécie o apaixona) averiguar que tipo de perdizes se caçam. As formas de “reforçar” populações com exemplares de cativeiro divergem consideravelmente, por isso… esclareça-se.

O “pacote” ou ação na ZCT
Nas ZCT existem diferentes modalidades, que vão desta a ação anual que inclui a participa ção em todas as jornadas de caça realizadas ou apenas em determinados dias (ou espécies). A variabilidade e diversidade da oferta é tal que se torna ser objetivo neste tipo de opção. No entanto existem algumas “premissas” que devem ser observadas. Em primeiro lugar deverá o interessado programar um par de visitas à zona de caça, que devem ser realizadas com o objetivo de observar a fauna existente e inclusive o tipo de aproveitamentos agrícolas e silvícolas das propriedades. Haverá toda a vantagem em existir um contrato (mais ou menos formal, mas válido) entre o caçador e a entidade responsável pela zona de caça. E com suficiente detalhe… Habitualmente neste tipo de zona de caça (ZCT) os grupos são mais homogéneos, principalmente devido aos critérios económicos de acesso. No entanto, também aqui é mais frequente encontrar quem faça as contas do que pagou pelo número de peças que “tem” de levar (atenção que também existem nas ZCA!). Cordialidade, bom senso e (muitas vezes) uma boa dose de paciência, são três ingredientes que o novo membro de um grupo de caça deve ter para “cozinhar” uma boa relação a médio e longo prazo.
